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Mês da Saúde Oral

À semelhança dos seus tutores, os animais de companhia também necessitam de cuidados de dentistria para obterem uma boa saúde oral e evitar, desta forma, problemas secundários associados mais graves noutros órgãos, tais como, rins, fígado, músculo cardíaco e pulmões.

As doenças dentárias podem manifestar-se com os seguintes sinais clínicos:

  • Halitose (mau hálito);
  • Dentes partidos ou soltos;
  • Retenção de dentes decíduos;
  • Descoloração dentária ou presença de tártaro;
  • Mastigação anormal;
  • Salivação excessiva;
  • Dificuldade na preensão de alimentos;
  • Redução do apetite;
  • Dor na região oral;
  • Sangramento na cavidade oral;
  • Inchaço na cavidade oral.

Estas doenças podem manifestar-se em qualquer raça, idade ou estilo de vida animal, por exemplo, as raças miniatura têm predisposição para a persistência de dentes decíduos; os animais séniores têm maior probabilidade de apresentar tumores orais; os gatos portadores de retroviroses têm maior incidência de gengivite linfoplasmocitária.

A doença dentária mais comum nos animais de companhia é a doença periodontal, que se traduz numa infeção dos tecidos subjacentes aos dentes. Esta doença tem um desenvolvimento progressivo, afeta 80% dos nossos animais aos 3 anos de idade e é classificada de acordo com a sua severidade de 0 (normal) a 4 (severa).

A doença periodontal começa pela aderência de uma placa bacteriana aos dentes. Quando as bactérias morrem, são calcificadas pelo cálcio presente na saliva, o que forma uma substância dura – tártaro, que permite a acumulação de mais placa. Inicialmente, a placa é passível de ser removida com a escovagem, pela mastigação de alimento seco ou ainda com utilização de brinquedos próprios. Aquando da não remoção da placa bacteriana, desenvolve-se uma consequente inflamação da gengiva, a chamada gengivite. A gengivite torna a gengiva mais friável e tumefacta, podendo sangrar facilmente. Quando a placa bacteriana se forma abaixo da gengiva é então necessária a realização de uma destartarização. Se este procedimento não for realizado, pode causar uma secundária infeção ao nível da raiz dentária.

Nas fases avançadas da doença periodontal, os tecidos subjacentes aos dentes são destruídos, os alvéolos dentários sofrem erosão e os dentes começam a abanar, sendo estes processos bastante dolorosos para os nossos animais.

 

Fases da doença periodontal
Fases da doença periodontal

 

Fase 1: tártaro visível nos dentes, com ligeiro inchaço e vermelhidão das gengivas

Fases 2 e 3: gengivas mais inchadas, com perda de osso à volta das raízes dentárias (detetado apenas por radiografia). A fase 3 é semelhante ao 2, mas apresenta maior perda óssea.

Fase 4: acumulação severa de tártaro, retração gengival, dentes danificados e desvitalizados associados a perda óssea.

Para ser possível a realização de um diagnóstico de problemas dentários, os animais devem realizar um check-up dentário, pelo menos, uma vez por ano. Este consiste na avaliação da cavidade oral e, se necessário, a realização de radiografias da boca e posterior destartarização sob anestesia.

 

Curiosidades:

O que posso fazer em casa?

A escovagem regular dos dentes é a ação mais eficaz para manter os dentes saudáveis dos nossos animais de companhia. É recomendado escovar os dentes diariamente mas, se tal não for possível aconselha-se uma escovagem de 3 vezes por semana.

Existem também brinquedos e barras orais que devem ser utilizados para massajar as gengivas e evitar a acumulação de placa bacteriana. Além deste efeito, estas técnicas reduzem o stress do seu animal.

Visite-nos e fale connosco para estabelecer a melhor estratégia para cuidar da higiene oral do seu animal.

 

Doenças congénitas

A fenda palatina, é uma das alterações congénitas mais comuns nos nossos animais. Esta resulta da incompleta ou inexistente fusão entre as placas palatinas (vulgo “céu-da-boca”), ao longo do desenvolvimento fetal.

Esta doença impede uma correcta sucção e a comida é, frequentemente, aspirada para o trato respiratório podendo causar broncopneumonia.

Os animais com fenda palatina, aquando da alimentação, podem apresentar leite nas narinas e como sinais clínicos: tosse e espirros.

É possível corrigir este defeito por cirurgia, sendo que, normalmente, é realizada entre os 2 a 4 meses de idade, sendo necessário tomar determinados cuidados alimentares durante esses primeiros meses.

 

Gengivite linfoplasmocitária

A gengivite linfoplasmocitária felina é uma doença que pode ser causada por diversos fatores: víricos (FIV, FeLV, Calicivirose), bacterianos (Bartonella henselae) ou qualquer estímulo que produza inflamação gengival sustentada.

Os gatos podem apresentar uma resposta inflamatória oral excessiva que provoca uma proliferação gengival marcada.

Nestes casos pode coexistir a necessidade de tratamento antibiótico, imunossupressor e, principalmente, destartarização. Atendendo à fase da doença e para melhoria do prognóstico, nesta doença, pode ser necessária uma extração dentária quase total.

 

Mês da Saúde Oral
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